Com o aparecimento da televisão, no séc. XIX, a difusão da informação deixou de se fazer apenas através de palavras (imprensa escrita, rádio, boca a boca) passando a sê-lo também através de imagem. No entanto esta era pouco manipulável por parte do percipiente, ou seja, o receptor da informação/aprendizagem era um sujeito passivo na aquisição da informação.
Neste campo, a internet veio mudar de vez o paradigma, hoje com a enorme quantidade de informação que existe, cabe a cada um de nós escolher as suas fontes e procurar a informação/conhecimento que vá de encontro aos seus interesses. Aparentemente este acesso à informação pode parecer como algo fantástico (e efectivamente é), no entanto acarreta uma série de problemas.
Acontece-me, por exemplo, frequentemente em discussões politicas ou com amigos apresentarem-me argumentos com base em informação retirada de sites como a Wikipédia. Esta enciclopédia internacional é bastante interessante, no entanto "vale o que vale" e esquecemo-nos demasiadas vezes que os textos que lá se encontram são editáveis por qualquer pessoa. Ou seja, nada impede, por exemplo, a uma criança de 10 anos chegar lá e dizer que se descobriu recentemente que Napoleão tinha uma namorada secreta portuguesa chamada Francisca. Será que por estar lá escrito esta informação ela se torna real? Para muita gente sim.
A meu ver, isto é gravíssimo, o conhecimento (fora da ciência) tende ser construído com base em informação potencialmente errónea e sem que se questione as suas fontes.
Isto é tanto ou mais grave, quando se observa que nos próprios trabalhos académicos (levados a cabo por estudantes de licenciaturas), estas fontes aparecem como preferenciais.
Urge portanto, a reeducação da sociedade para que esta saiba lidar com o excesso de informação e tome conhecimento dos mecanismos (que os há) e técnicas a utilizar para distinguir a informação fidedigna da informação fictícia.