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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Politica autárquica vs Politica Nacional

Ouvi há poucos minutos que o governo da república portuguesa vai gastar 500 milhões de euros a fazer obras na margem sul do Tejo.

A meu ver isto é mais uma prova daquilo que venho dizendo nos últimos anos, o governo de Portugal, com os seus milhões governa e desenvolve a área metropolitana de Lisboa, da mesma forma que vai cortando nas verbas destinadas às câmaras municipais que são responsáveis pelo desenvolvimento nas outras regiões.

Isto é vergonhoso, basicamente 80% do país anda a trabalhar pra os restantes 20 % terem pontes (1700 milhões de euros), aeroportos (4000 milhões de euros), projectos de renovação urbana (500 milhões de euros), obras no metropolitano (240 milhões de euros só a ligação Saldanha-S. Sebastião).

Das duas uma, ou se assume que o desenvolvimento regional é da competência das câmaras ou se atribui essa tarefa ao governo nacional. Não podem existir dois pesos e duas medidas.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A natalidade em Portugal

O presente post pretende ser uma resposta à questão levantada num comentário do Artur no seguinte post blog Speakers Corner Liberal Social:

"Mas já agora, como faria um Liberal para aumentar a taxa de natalidade de Portugal, que terá de ser uma questão importante no presente e no futuro?"

A meu ver a taxa de natalidade deve ser aumentada de forma indirecta.
Ou seja actuar sob as respostas à seguinte questão: Porque é que as pessoas têm menos filhos hoje?

- Massificação do uso de contraceptivos.
Resposta: A este nível pouco podemos fazer, até porque o uso de contraceptivos alem de permitir um planeamento familiar mais consciente é, no caso dos preservativos, a forma mais eficaz de combater as doenças sexualmente transmissiveis.

- Um novo papel da mulher na sociedade.
Resposta: Nos nossos dias, felizmente, a mulher já não é criada com o intuito de passar a vida a tratar dos filhos e do marido. A maioria das mulheres aposta hoje em dia na carreira profissional. A par disto surgem os horários de trabalho bastante preenchidos (principalmente nas grandes cidades) que deixam pouco espaço à vida fora do trabalho. O papel que o governo pode ter aqui é incentivar as organizações a promoverem novas organizações do trabalho, permitindo aos casais terem tempo para ter e criar os filhos.

- Ter um filho é algo bastante caro não estando (ou não nas melhores condições) acessível a qualquer carteira.
Resposta: Neste caso só através de uma politica Liberal, sobretudo ao nível económico, é que se poderá inverter esta situação. Porque é que em Portugal se ganha mal? Muitos e reputados economistas internacionais, apontam como razão para o atraso económico de Portugal um mercado de trabalho pouco flexível, uma sobrecarga fiscal das organizações, etc. A isto eu ainda acrescentaria que o governo deve criar condições (que não passem pelo financiamento directo) para que surjam projectos inovadores e geradores de riqueza para o país. Portugal tem de criar mais e melhores empreendedores.

Isto é apenas uma pequena resposta, com uma reflexão mais aprofundada julgo que chegaríamos a mais medidas que os liberais podem tomar para combater o problema da baixa natalidade.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quem quer trabalhar?

Tenho vindo a seguir o aumento do desemprego com alguma preocupação. Tem-me assolado várias vezes o medo de que, em época de desemprego, as pessoas (trabalhadores) se deixem "espezinhar" apenas porque têm medo de ficar sem trabalho e consequentemente sem sustento.

No entanto hoje a minha visão sobre esse assunto alterou-se um pouco. Em conversa com a dona de um restaurante onde costumo almoçar, foi-me confidenciado de que estariam com um problema por causa de uma (má) empregada que se queria despedir. Tentei fazer-lhes ver que esta era uma oportunidade para colocarem alguém ainda melhor naquela função. Nesse momento ela utilizou um argumento que destruiu por completo qualquer um que eu pudesse ter, disse que não queria que a empregada fosse embora porque depois não conseguia arranjar ninguém para o lugar dela... Posto isto... calei-me.

Será possível que com o desemprego a aumentar ainda existem entidades empregadoras que não conseguem encontrar pessoas para trabalhar????

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os cornos de pinho

Reconheço ter caído em tentação ao escrever sobre um assunto tão sem importância como aquilo que se passou ontem no plenário da assembleia da república.

O versão online do Jornal i apresenta o caso desta forma:

"O Parlamento viveu ontem o dia mais insólito dos últimos 20 anos, quando no meio do debate do Estado da Nação, o ministro Manuel Pinho aponta dois corninhos à bancada do PCP. Pouco depois, sai da sala. Um gabinete de crise reúne-se na sala do ministro dos Assuntos Parlamentares: Augusto Santos Silva e Pedro Silva Pereira mantêm uma reunião prolongada com Manuel Pinho. Algum tempo depois, Teixeira dos Santos junta-se ao grupo. "

Perante isto apetece-me perguntar, convoca-se um gabinete de crise por causa por causa de "dois corninhos"? Todos os dias no Parlamento nacional os deputados chamam nomes aos ministros (mentiroso, palhaço, etc.) e nunca vi convocado um gabinete de crise.

Pior, imensas vezes os governos têm decisões politicas catastróficas, demitem-se por isso?

Mas que raio de país é este que se preocupa mais com a imagem dos politicos do que pelo (mau) trabalho desempenhado por estes?

Para quem olha para a politica como a oportunidade de contribuir para um país mais livre, justo e democrático estes episódios são altamente desmoralizadores.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uniformes nas Escolas

O jornal Correio da Manhã noticia que a CONFAP (confederação nacional de associações de pais), defende um retrocesso civilizacional, o regresso dos uniformes às escolas públicas. Tinha muito respeito por esta associação, no entanto percebo que muito mudou no mundo do "associativismo de pais", e que hoje em vez de combaterem pela liberdade dos seus filhos e por uma escola melhor, combatem por uma escola repressora e defensora de valores conservadores e violadores dos direitos humanos.

Obviamente, como Liberal Social assumido que sou e até como Psicologo Social, estou contra esta proposta.

Vamos a argumentos:

O vestuário é uma forma de comunicação, e efectivamente comunicamos uma ideia diferente de nós próprios ou da própria situação através da roupa.

Por exemplo se virmos um amigo nosso de fato e gravata que costume andar de forma informal, vamos perguntar porque é que ele vem com aquela roupa. Outro exemplo, normalmente quando vamos a uma entrevista de emprego  podemos vestir uma roupa mais informal para comunicar uma ideia de profissionalismo.

E por fim mais um exemplo, mais ligado aos jovens , um beto transmite uma ideia diferente de um rastafari também através do vestuário. Logo estarmos a proibir que as crianças e jovens se expressem de forma livre através da roupa estamos a violar uma das mais preciosas liberdades, a LIBERDADE DE EXPRESSÃO. 

 Outra das funções do vestuário é contribuir para a construção e afirmação da identidade, o que assume extrema relevância na adolescência em que é muito importante a identidade quer pessoal quer social. Desenvolvendo, os jovens (como qualquer um de nós) precisam de se afirmar enquanto seres individuais diferenciando-se dos outros que são diferentes deles (LIBERDADE DE SER DIFERENTE). Por outro lado também somos seres sociais, e a forma de vestirmos vai contribuir para no juntarmos  e afirmarmos a pertença a determinados grupos (ex. se me vestir “à beto” vou pertencer ao grupo dos betos)- LIBERDADE DE “ASSOCIAÇÃO”.

Por fim do ponto de vista educativo, um dos problemas das escolas mais conservadoras é não permitirem os alunos lidarem com a diferença. Por um lado existe a segregação de crianças deficientes, pobres ou ricas, de uma raça ou de outra, mas por outro lado existe algo igualmente mau – o uso de uniformes. Quanto mais as crianças “forem iguais” nas escolas menos vão lidar com a diferença, isto vai fazer com que andemos a formar adultos preconceituosos, intolerantes, resistentes à mudança e que lidam mal com os que são diferentes deles. EDUCAÇÃO PARA A (IN)TOLERÂNCIA.

Por todas estas razões, e mais algumas, indigno-me e digo NÃO ao uso obrigatório de uniformes nas escolas.

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril


Quem me conhece sabe que eu sou um dos maiores entusiastas da revolução ocorrida no dia 25 de Abril de 1974 em Lisboa.
Eu sou daqueles que, ainda que não fosse nascido em 74, me emociono cada vez que ouço a grândola vila morena ou que vejo recriados os acontecimentos daquela madrugada primaveril.

Por outro lado é com grande mágoa que vejo que muitos alteram o significado do golpe militar e consideram-no como ou revolução comunista ou socialista. De facto a nossa constituição reflecte muitos dos valores socialistas, no entanto isto acontece pura e simplesmente pelo facto de ter sido realizada por defensores destas ideologias e aprovada 2 anos depois do golpe militar..

O golpe militar de 25 de Abril foi um combate pela liberdade, quem lê o programa do Movimento das Forças Armadas (http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/docs25a/MFA1-1.HTM) não lê qualquer referência ao socialismo, comunismo ou outra ideologia politica. A única coisa que se vê lá é um manifesto pró-liberdade e eu como liberal social que sou, é a liberdade que defendo.

A meu ver a continuação da luta travada a 25 de Abril não é a luta por uma sociedade mais comunista e socialista, sendo que isso seria contra o próprio espírito de liberdade consagrado no programa do MFA e da força impulsionadora do golpe militar.

Por fim, julgo que temos de acordar da ressaca daquela madrugada, daqueles dias que se seguiram em que tantos ataques à liberdade foram feitos. Temos hoje como em 1974 lutar pela LIBERDADE.